A Grande Aventura

Eduardo Valente - 1999

Naquele dia, meio nublado, meio triste, meio cinza, algo se destacava na paisagem também cinza da cidade. Aqueles três palhacinhos, coloridos como só um palhaço sabe ser, destacavam-se como ninguém da paisagem urbana, mas havia algo mais estranho neles... Não havia ninguém mais triste que os três no mundo todo. O por quê? Calma amigo, esta é só a introdução da história...

- Eu sou o mais triste, dizia Rebimboca, forçando a careta. Desafio qualquer um a conseguir ser metade do que eu sou triste.

- Que nada, eu sou o mais triste, porque meu beiço é duas vezes maior que o seu, retrucava Parapião, plantando bananeira.

- Se juntar vocês dois, ainda vão parecer alegres comparado a mim, dizia o terceiro dos palhacinhos, Supimpa, ao mesmo tempo que fazia malabarismos com bolas, olha como eu choro...

- Sou eu! Sou eu! Sou eu!....

E andavam os palhacinhos por toda a cidade cinza, brigando e discutindo para saber quem era o mais triste deles, quem tinha o maior beiço, quem chorava mais, quem fazia a maior careta, etc. Por toda a cidade, quando passavam, o povo parava para olhar a tristeza dos três que, mesmo na sua tristeza, faziam a todos rir com suas palhaçadas tentando mostrar quem era o mais triste.

De careta em careta, de choro em choro, de beiço em beiço, juntava cada vez mais gente para descobrir aquela coisa esquisita de estar triste e fazer os outros rirem ao mesmo tempo. A notícia corria por toda a cidade de Jerusalém e a aglomeração na praça central estava cada vez maior. O trânsito engarrafava-se, as pessoas se amontoavam e o palhacinhos continuavam brigando.

- Eu sou o mais triste, porque quando eu choro, as nuvens chegam mais perto para aprender como molhar melhor o chão.

- Eu é que sou o mais triste, porque quando eu faço careta, de todo canto do mundo vêm monstros para aprender como se faz careta tão feia assim.

E o público rolava de rir com as micagens dos três...

- Eu, eu e só eu! No meu beiço, cabem três melancias, dois cocos e mais cinco ... como é mesmo o nome daquela fruta engraçada? Ah, é... Cinco enormes graviolas!!!!

- Ô Parapião, txucarramãe de meia pataca, esse teu beiço não dá nem prá feijoada de pobre! Melancia, coco e graviola? Pfffffff......

- E esta careta, não assusta nem a arara da Dona Quininha, que tem medo até da sombra...

- Pior é o choro do Supimpa, que se tiver alguma flor que dependa deste choro prá ter água, morre seca e arreganhada antes de virar botão!

E a briga dos palhaços continuava, cada um se achando mais triste e fazendo piadas e maluquices para saber quem ganhava. E o povo se divertia e aplaudia. Quanto mais os palhaços tentavam mostrarem-se tristes, mais o povo ria. Até a hora em que o Rebimboca não aguentou e gritou:

- Vai tudo mundo embora, agora!!! Ficam rindo da tristeza gigante destes três palhaços, como se a gente estivesse fazendo palhaçada... Por falar nisso....

Em seguida, fazia uma mágica...

- Xô, xô, gente que gosta de ver os outros sofrer, dizia Supimpa, lembrando-se de uma piada de papagaio...

- É isso aí, xô, xô e mais xô, urubuzaiada.

E o Parapião fingia levar um escorregão e se esborrachava no chão, levando os outros dois junto. E o público ria até não poder mais...

- Por que vocês estão tão tristes, perguntou o seu Elias, do armazém. Ao mesmo tempo, vocês não se cansam de nos fazer rir...

E os três juntos, num coro esquisito que só palhaço consegue fazer, gritaram:

- Porque a gente acabou de viver a maior aventura da nossa vida!

- Como? , o povo estranhava. Mas não era para vocês estarem pulando de alegria, fazendo as maiores graças do mundo?

- Que aventura foi esta? perguntou o padeiro.

E o Rebimboca, numa rebimbocada, disparou a falar, ao mesmo tempo que o Supimpa e o Parapião. É claro que ninguém entendeu nada...

- Um de cada vez!!! Um de cada vez!!! suplicava a gente.

- Tá bom, tá bom, foi quando ...

E punham-se a falar juntos de novo.

- Só um!!! Só um!!!

- Eu falo, disse Parapião, porque meu nome começa com P de primeiro!

- Então quem fala sou eu, porque, Supimpa começa com S de segundo!

- Mas Supimpa, primeiro vem antes do segundo!

- Mas é segundo de tempo!, e num segundo começou a falar, sendo interrompido por Rebimboca.

- Eu é que falo, porque mesmo que eu não saiba o que começa com R de Rebimboca, eu sou o mais velho e vou falar e pronto!

- Eu que vou, eu que vou, não! sou eu!

E a discussão ia longe...

- Eu vou falar primeiro, dizia Supimpa, porque eu é que fiz a gente tomar aquele ônibus errado que nos levou à nossa aventura! Quando a gente chegou em Tocantins, fui eu que descobriu o rastro de lobo guará, que de tão machucado, precisava de ajuda.

- É, mas quem que foi que seguiu o rastro até a aldeia dos indios Guaporé, onde a gente descobriu que o pajé queria fazer sopa dos filhinhos do lobo para dar de comer pro cacique, que estava doente...

- De malária... completava Parapião. Mas fui eu que salvei os dois filhotinhos, enquanto vocês distraíam a indiarada, e fui eu quem indiquei o melhor caminho para a fuga.

- É Parapião, mas fui eu, Rebimboca, que falei: 'Olha um urubu de vestido de bolinha' e toda a aldeia olhou para o outro lado e a gente conseguiu fugir.

- Mas eu, Supimpa, é que carreguei a Mãe Loba, que de tão fraca não aguentava nem com ela mesma, quanto mais com os filhotes.

- É... mas fui eu Parapião que construí uma ubá, que é uma canoa feita de casca de árvore, para que a gente pudesse descer o rio São Francisco.

- Que levou a gente até o nordeste.

- Daonde a gente rumou para Manaus...

- No lombo daquele jumentinho... como era o nome dele?

- Jecoso! E depois fomos achar uma casa para os lobos...

- ...e tivemos que brigar com a Dona Onça para que ela deixasse que eles vivessem lá.

- ... e só conseguimos isso quando eu dei um tapiti, prá tirar o veneno da mandioca, que a onça adorava.

- Então, conversamos com a Dona Anta, que nos deu carona até aqui perto de Jerusalém.

- Quando, em agradecimento, demos a ela uma peruca de palhaço e ela ficou muito da engraçada.

- É mesmo! Anta com peruca de palhaço é muito legal.

- Mas voltando à nossa briga, eu é que vou falar!

- Eu! Eu! Eu!

- Não precisa, disse o Zé da Farmácia rolando de rir, porque vocês já contaram tudo...

- Eu não! Foi o Supimpa!

- Eu não ! Foi o Rebimboca!

- O Parapião! Foi o Parapião!

- Vocês três contaram... mas como é que depois de tanta aventura, alguém pode estar triste? Os lobinhos morreram?

- Não... eles estão muito bem e fortes...

- A onça gostou do tapiti?

- Tá gorda de tanto comer mandioca!

- A anta gostou da peruca?

- Até já montou um circo!

- Então, ó raios, por quê?

- Porque foi a maior aventura das nossas vidas!

- E porisso vocês estão tristes?

- É claro, dizia Supimpa, afinal de contas, de agora em diante, não vamos ter aventuras como aquela. Podemos ter a segunda maior aventura da vida, mas a maior já foi! Nunca mais!

- Como é que vocês podem ter tanta certeza, gritava alguém lá do fundo.

- Alguém aqui já viveu aventura assim? retrucou Parapião.

- Alguém aqui já viveu metade de uma aventura assim? continuou Supimpa.

- Alguém aqui já viveu um teco de uma aventura assim? terminou Rebimboca.

Só o silêncio, exceto por uma menininha a chorar baixinho. Mas não tão baixinho que não pudesse ser ouvido. Seu chorinho começava a tomar conta de tudo. As pessoas começaram a notar e também os três palhacinhos. Só a menininha parecia não notar que todos prestavam atenção nela. Seu chorinho miúdo era realmente triste e ninguém sabia porquê.

- Esta tristeza não dura muito perto da minha pirueta número três.

E lá ia Supimpa rodar na frente da menininha, que continuava a chorar, alheia a tudo. No tombo do Supimpa, todos acharam engraçado, mas a menininha não.

- Mágica número 47, é uma emergência!!!!

E Rebimboca tirava moedas da orelha e cartas da peruca. Todos riam, menos a menininha. Seu choro não aumentava nem diminuía. Só chorava a coitadinha.

- Abram alas para o pequeno grande palhaço Parapião!

E Parapião plantava bananeira desengonçada, fazia careta, mostrava a lingua, e tudo o que acontecia era o chorinho continuar.

O povo começava a ficar preocupado. Três palhacinhos que faziam todos rir mesmo quando estavam disputando quem era o mais triste. Os três tentando fazer uma menininha rir sem conseguir nada além do mesmo chorinho miúdo. Foi o Rebimboca que desabafou:

- Viu Parapião? Ela é mais triste que você! E mais triste que o Supimpa também.

- Pode ser que seja mais triste que o Supimpa. Quanto a mim, tenho minhas dúvidas. Mas com certeza é mais triste que você.

- Mais triste que nós três juntos e com certeza do que toda esta gente junta. O que será que aconteceu, prá ela ficar tão triste assim?

- Pergunta você, nariz de palhaço!

- Olha quem fala...

E os três, após uma breve disputa, elegeram Parapião para falar com a menina.

- Ô menininha. Como é possível ser tão triste assim. Fala comigo, explica prá mim.

- É menininha, fala com a gente....

- Como foi a sua grande aventura para você estar tão triste assim? Deve botar a nossa no chinelo...

- Quem são vocês? perguntou a menininha, ainda fungando o nariz.

- Parapião, o palhação!

- Supimpa de Coisa e Tal, o palhaço animal!

- Rebimboca de Parafuseta e Parafuseta, o palhaço porreta!

- Desculpa de eu não rir das suas brincadeiras, mas é que a minha tristeza é tão grande que simplesmente não consigo rir. Acho que nunca mais vou rir.

- Você é novinha, quantos anos você tem? Quatro? Trinta e nove? Cento e catorze?

- Tenho doze, e estou mais triste a cada dia que passa.

- Por quê? Por quê? Por quê?

- Minha amiga mais querida morreu! Não faz nem um hora...

- Morreu por que?

- Não sei, só sei que morreu e eu não vou ter minha grande amiga prá brincar de amarelinha, de esconde-esconde, prá contar o que aconteceu na escola.

- Morreu de morte morrida ou morte matada?

- De morte morrida mesmo. Ficou doente e morreu. E agora eu estou muito triste...

- É... e a gente brigando prá ver quem era o mais triste por bobeira... Acho que eu vou contar uma piada...

- E os pais dela?

- A mãe tá mais triste que eu. O seu Jairo, então, que é o chefe da sinagoga, saiu que nem louco procurando algo que pudesse curar ela...

- Como curar quem já tá morto?

- Ele saiu dizendo que uma pessoa podia... E ela ainda não tava morta, tava quase... Morreu um pouquinho depois do pai sair.

- Ele não sabe que a filha morreu? Noooooossa!...

- Já deve saber, a estas horas... Eu saí, porque não queria ver o seu Jairo chorar. É tão triste que meu coração parece todo furado de espinho. Ai que tristeza, meu Deus!

E os palhacinhos começaram a ficar tristes, só que agora de verdade. Supimpa começou a chorar, Rebimboca fazia uma careta atrás da outra e Parapião mostrava um beiço que dava prá fazer umas cinco feijoadas... no mínimo!

De repente, uma voz de menina se destaca no meio da multidão:

- Isabel! Cadê você?

- Ué? Mas é a voz da Talita! Mas ela morreu!

- Isabel! Isabel!

- Talita! Eu estou aqui! disse Isabel correndo para abraçar Talita, seguida dos palhaços.

- Isabel, minha amiguinha! Você sumiu!

- Você morreu! Você morreu! gritava Isabel, sem entender nada.

- É, mas agora eu estou viva! Vamos brincar?

- Há uma espécie de incoerência gigantesca cercando este fato... dizia Parapião com ar de sábio.

- Há com certeza, algo de muito estranho nesta história toda, dizia com mais cara de sábio o Supimpa.

- Definitivamente, é uma história estranha... dizia Rebimboca, imitando a cara de sábio dos outros dois.

- Como? dizia Isabel. Como você está viva, Talita?

- Eu tinha morrido, né? Daí, meu pai chegou com um homem que disse prá todo o mundo que eu não tinha morrido, mas tava só dormindo.

- Só dormindo? Você tava é morta de marré de si!

- Tava mesmo, mas o homem falou isso e em seguida pegou na minha mão e falou: 'Talita, levanta!', e eu levantei!

- Você tava morta!!! gritaram os três palhacinhos em coro.

- Corram! É um zumbi!

- Não Parapião, é uma mula-sem-cabeça!

- Ô Supimpa... olha a cabeça dela lá!

- Então é a mula-com-cabeça!!! Salve-se quem puder!!!

- Palhacinhos, venham aqui! Eu não sou mula, nem com nem sem cabeça... Eu sou uma menina que morri e ressuscitei.

- Não é possível!!! Isto não existe!!!! Fujam todos!!!

- O último que fugir é marido da anta de peruca!!!!

- Esperem! Eu sou só uma menina!

- É verdade! E cadê os palhaços corajosos que salvaram os lobinhos?

- Rebimboca, onde você colocou eles?

- Deixei com o Parapião!

- Eu não, foi o Supimpa!

- Não precisam ter medo... Venham aqui!

Relutando, os três foram se aproximando e, como a curiosidade era maior que o medo, sentaram-se junto das duas na sargeta.

- Como era o nome deste homem que fez você viver?

- Todos chamavam de Mestre, eu não sei o nome dele...

- Era o Mestre da Morte!!!!

- Ou o Mestre da Vida!!!!

- Ou era professor do pré-primário....

- Calaboca, Parapião!

- Eu quero agradecer a ele, vocês não me ajudam a encontrá-lo?

- Sabe, Supimpa... Estou sentindo cheiro de grandes aventuras...

- E eu... cheiro de pum! Quem foi!

- Foi o Rebimboca!!!!!!!

- Desculpa gente, escapou....

- Atenção soldados! Colocar máscaras anti-gás!

E os três palhacinhos botaram um pregador de roupa no nariz.

- Agora estamos preparados. Vamos ao que interessa.

- Vamos encontrar o tal de Mestre.

- Vamo arrebentá a boca do balão!!!!

- Menos, Parapião, menos...

E os três corriam Jerusalém inteira procurando o tal de Mestre. Encontraram vários, todos os tipos de mestres estavam em Jerusalem, menos aquele, que tinha curado a Talita.

De repente, lá por volta do meio dia, tudo ficou escuro. Não se via um palmo além do nariz. Uma chuva intensa começou a cair e um vento forte a soprar.

- Minha peruca quer virar passarinho!!! gritava Rebimboca....

- Minha maquiagem quer virar peixe!!!! gritava Supimpa...

- Meu sapato quer virar barquinho!!! gritava Parapião...

- E eu quero minha mãe!!! gritavam os cinco.

- Talita, vamos correr prá sua casa, que é mais perto!

- Vamos rápido, mas eu não vejo nada!

- Espere, disse Supimpa, eu tenho um computador último tipo que nos levará até a casa da Talita. Vejamos... Talita... você mora aqui numa árvore?

- Ô Supimpa, você lendo o computador de cabeça prá baixo!!!

- Claro, claro... É para lá!

Em demoraram três horas e nada de achar a casa da Talita. Foi quando clareou tudo de novo. O Sol voltou a brilhar. A chuva e o vento se foram rapidinho. E os cinco continuavam na praça central.

- Este teu computador, você comprou aonde?

- No Paraguai, ano passado.

- Bem se vê, bem se vê... As pilhas estão boas?

- Que pilhas? Ele é tão avançado que funciona com luz do sol!

- Então na escuridão que estava.....

- Falha nossa!!!!!

Na casa de Talita, os pais felizes, gritavam quando Talita chegou:

-Talita, minha filha, como é bom ver você!

- Pai, como era o nome do tal de Mestre?

- Era Jesus de Nazaré.

- E onde ele está agora?

- Ouvi falar que uns soldados o prenderam, e que ele seria julgado!

- Julgado? Por quê?

- Não sei... ele me parecia o homem mais inocente que já havia caminhado na terra. Não sei como alguém poderia acusá-lo de alguma coisa. Ele era tão justo que até fez você reviver!

- Precisamos salvá-lo, gritaram os três palhacinhos.

- Vamos lá! gritaram os cinco.

E correram para o centro, perguntando quem sabia de Jesus. Ninguém queria responder e quando falavam, parecia que falavam de alguém mau, muito mau, um bandido!

- Precisamos encontrar Jesus, alguém viu?

Dobrando uma esquina, homem triste apareceu. Parecia mais triste que os cinco juntos quando eles estavam super-tristes.

- Ei! Você não viu um homem chamado Jesus?

E o homem chorava...

- Homem não chora, dizia Supimpa.

- Ele era o meu Mestre e, ei! você não é a Talita, que meu mestre ressucitou?

- Eu sabia que já tinha te visto... cadê Jesus?

- Ele morreu! Pregaram ele numa cruz e foi o fim!

- Mas como?

- Acusaram de coisas que ele não tinha feito, inventaram mil e uma sobre ele e o colocaram na cruz. Agora ele morreu. Meu mestre morreu e meu coração morreu junto.

- O que a gente pode fazer?

- Vocês eu não sei. Eu vou voltar a ser pescador. E pensar que um pouco antes de ele morrer eu disse não uma, mas três vezes que não o conhecia. Ele, que era o meu senhor...

- Onde ele foi enterrado?

- Numa tumba perto daqui, mas você só poderão ir lá no domingo, porque o sábado já está começando e ninguém pode chegar perto de lá no sábado. Só os guardas que tomam conta do túmulo.

- Tomar conta? Ele vai fugir?

- Não... Eles acham que nós, os discípulos dele, vamos lá, roubar o corpo e dizer que ele ressuscitou. Que besteira...

Que outras pessoas o conheceram, nós queremos conhecê-lo! Queremos saber mais sobre a vida deste mestre tão sábio!

- Quem sabe ele não me ensina uns truques novos de mágica!

- Parapião! Ele morreu, se esqueceu?

- Ops! Foi mal....

- Você não sabe de pessoas que poderiam falar mais sobre deste Jesus para a gente?

- Se vocês forem para Betânia, encontrarão uma família. Duas irmãs e um irmão. Ele também foi ressuscitado por Jesus.

- Vamos para Betânia!!!

- Tchau seu pescador!

E os cinco saíram a procurar pessoas que tinham conhecido esse tal de Jesus.

- Eu quero ir de ônibus!, gritou Supimpa.

- Nós vamos é de a pé mesmo!, gritou mais alto Rebimboca.

- Por quê? Por quê? , esgüelava-se ainda mais Supimpa.

- Porque ainda não inventaram o ônibus, seu ostra!!! berrou Rebimboca.

- Ah é!... E por quê você está gritando? berrava e berrava Supimpa.

- Sei lá... deu vontade... falou normal o Rebimboca.

Chegando em Betânia, viram uma casinha muito bem cuidada, com uma moça a colocar as roupas no varal, enquanto outra chorava baixinho sentada na soleira da porta.

- Ó Maria, vê se pára de chorar! Agora não adianta mais.. Ele morreu...

- Mas Marta, o que eu vou fazer agora? Ele era tudo prá mim. Como pode acontecer uma coisa tão triste?

- Cadê o Lázaro?

- Ele foi comprar comida, mas anda mais perdido que eu... Ainda não assimilou o choque. Ei, Marta, Você quer ajuda?

- Puxa! Pensei que nunca ia perguntar! Vamos ver se o pão já assou...

Neste momento chegaram nossos cinco heróis...

- Ô de casa! gritou Talita.

- Boas tardes, pessoal! falou Isabel

- É aqui a casa do defunto que não é mais defunto ? gritou Parapião.

- Ô Parapião, isto são modos? É assim que fala, ó: estamos na residência do falecido de mentira?

- Tsk, tsk, tsk, Rebimboca... Você e o Parapião são mais grossos que casca de Cambará! Aprendam com o mestre: Cadê o mortão???? Se tivé fedendo que fique longe!!!

- Quem é? perguntou Maria, saindo da casa.

- Você é irmã do Lázaro? perguntou Isabel.

- Sou sim. Meu nome é Maria, e o de vocês?

- Parapião!

- Supimpa!

- Rrrrrrrrrebimboca!

- Eu sou a Talita...

- E eu a Isabel.

- O que vocês fazem aqui? Não sabia de nenhum circo que passasse por Betânia...

- Viemos ver o defunto de mentira! falou Supimpa.

- É, é isso ai! falaram os dois palhacinhos.

- Como? disse Maria rindo. Quem? O Lázaro? Mas ele está vivo!

- Ouvi dizer que cheirava mal.... A orelha dele apodreceu?

- Que nem naquele filme de terror... como é mesmo o nome? Reanimator! Uá há há!

- Não, vocês não entenderam.... Ele morreu e ficou morto por quatro dias. Então Jesus veio e disse para ele sair da tumba e ele saiu! Vivinho da silva!

- Pela segunda vez! gritou Rebimboca. Ninguém morre e vive! Ninguém vive de novo! Só no Reanimator!!! Uá há há!

- E no Cemitério Maldito 2, completou Supimpa...

- Jesus pode fazer os mortos reviverem, quer dizer.. podia... porque agora o morto é ele...

E Maria desanda a chorar de novo...

- Não chore, dona Maria. Senão eu vou chorar também...

E lá foram os três palhacinhos chorar escandalosamente...

- Parem com esta choradeira, disse Marta saindo da casa. Acabou, entenderam, acabou. Precisamos continuar... a vida continua....

- Você deve ser a Marta!

- Isso! E quem são vocês!

E novamente os cinco se apresentaram.

- Cadê o zumbi?

Rindo, Marta aponta: dobrando a curva da estrada vinha Lázaro, enlameado pela chuva que tinha caído e cansado de andar, nem percebeu os cinco que se aproximavam.

- Marta, me arranja um copo d'água que eu estou morto!

- Não falei? Não falei? Salve-se quem puder!!!

E os três palhacinhos se esconderam atrás de uma árvore.

Lázaro ainda não percebera os cinco e sentou-se junto a Maria e tentava consolá-la:

- Maria, não fique assim... Corre um boato que ele disse que ressucitaria no terceiro dia. Quem sabe seja verdade?

- Pare Lázaro! Nem você acredita nisto! Ele morreu e para sempre...

Detrás da árvore, uma voz de palhacinho surgiu:

- Se eu contar uma piada, você pára de chorar, Dona Maria?

- Quem falou isto? perguntou Lázaro.

- Olha, seu Lázaro Zumbi Mortinho da Silva, eu num quero conversa c'ocê di jeito manera, vinha avisando Parapião.

- Nem eu, seu Pseudo-morto!

- Pseudo morto, Supimpa? Onde você aprendeu esta? perguntou Isabel.

- Curtura, baby, curtura.....

- Ele não está morto bocó-de-mola, aconteceu com ele o que aconteceu comigo. Eu morri, mas o tal de Jesus deu vida de novo.

- Ninguém pode viver de novo! Só no Reanimator!!! Uá há há!

- E no Cemitério Maldito 5....

- Sabem de uma coisa? Vocês são realmente malucos! disse Lázaro. Este Jesus era Deus que virou gente. Porisso, ele tinha poder sobre a vida e a morte! Ele dizia para os demônios...

- Demônios! Fujam!!! gritava Rebimboca à beira de um ataque de nervos...

- Shhhh!!!! Deixa ele contar a história....

- Ele dizia para os demônios: 'Ei! Saiam desse rapaz!' e os demônios num instante sumiam...

- Os demônios obedeciam ele????

- Todos obedeciam. O Sol, a Lua, o mar, o vento, os anjos e muitas pessoas...

- Muitas? Então não eram todas que obedeciam?

- Se todas obedecessem, ele não ia morrer, né Supimpa? Dãããã......

- Ah é!...

- Que história é esta de o mar obedecer???

- Olha... quem estava lá era o Pedro, o João e o Tiago. Eles é que sabem contar bem a história. Eu sei que eles estavam num barco no meio do mar da Galiléia...

- É do tamanho do Rio Amazonas, Rebimboca...

- Daí, uma tempestade muito forte chegou e ameaçava virar o barco. Jesus estava dormindo.

- Alguém quer um suco de laranja???? entra Marta perguntando.

- Eu! Eu! Eu! Eu! Eu!

- Então, completava Maria, os discípulos que estavam com Jesus no barco tremeram de medo. E um deles, o Pedro, foi logo acordar o mestre.

- Coitadinho, e ele com tanto sono....

- O barco ia afundar, Parapião!

- Ia nada... Escuta o resto da história....

- Então, acordaram Jesus. Ele esfregou os olhos, e perguntou por que tinha sido acordado.

- Ele não tinha percebido o barco balançando? Que sono pesado, sô!

- Quando os discípulos disseram o porquê, ele ficou bravo. Balançou a cabeça, como quem reprova e falou: 'Vocês não tem fé nem mesmo do tamanho de um grão de mostarda! Vocês estão comigo, e isso devia bastar para saberem que estão seguros!'

- Daí que vem aquela música: Tupã Canuá Odioi Porentê.... Com Cristo no barco tudo vai muito bem, vai muito bem, vai muito bem...

- Isso! Jesus, então, falou pro mar e pro vento: 'Pode parar que vocês estão assustando meus amigos!'

- E o vento parou?

- Parou, menino! E o mar ficou liso que nem um espelho!

- Eu preciso aprender esta mágica!....

- Isto não é mágica, disse Marta, chegando com o suco, é milagre.

- Ainda não entendo como mataram alguém tão bom assim...

- Olha, se for plano de Deus, deve ser um plano muito bem arquitetado. Coisa que a gente só vai entender depois...

- Ei palhaços e meninas! Está ficando noite... Que tal se vocês dormissem aqui hoje e amanhã vocês continuassem sua busca por Jesus?

- Legal. Afinal de contas... de lá ele não sai, o mortão....

- Respeito, Supimpa, respeito...

- Eu não resisti. Hé, hé, hé....

E como a noite tinha caído mesmo. Todos foram dormir.

Na manhã do sábado, todos acordaram bem cedinho. Marta já tinha preparado a mesa do café e os cinco se empaturraram de comida.

- Ô Marta, quando você abrir um restaurante, eu vou lá todo dia.... disse Parapião.

- Eu também! Eu também!

- E quando você abrir uma cantina eu vou lá toda hora.... disse Supimpa.

- Eu também! Eu também!

- E quando você abrir um consultório de dentista, eu mando a Talita e a Bel no meu lugar! gritou Rebimboca.

- Eu também! Eu também! riam-se os palhaços das suas próprias travessuras.

- É hora de irmos! Mochilas nas costas que o caminho é longo!

- Tchau Dona Maria chorona!

- Tchau Dona Marta cozinheira!

- Tchau Seu Lázaro Defunto! Há Há Há!

Chegando novamente em Jerusalém, viram um monte de criança brincando de pega-pega. Os palhacinhos e as meninas não resistiram e correram para brincar também.

Brincaram e brincaram, o jogo agora era ser super-herói. Cada um imaginava um super-herói mais forte que o outro:

- Eu sou o Homem-Aranha! gritou um menino.

- Eu sou o Hulk! gritou outro.

- Eu sou o Super-Banana-Atômica! gritou Parapião.

- Eu sou a Mulher Maravilha, gritou Isabel.

- E eu a Power Range Rosa, gritou Talita.

- E nós dois somos os dois Superzão, o maior dos heroizão, em coro gritaram Supimpa e Rebimboca.

Uma outra criaça que estava junto então gritou:

- Eu sou Jesus, o super-herói dos super heróis!

A brincadeira acabou aí mesmo. Tinhamos um vencedor.

- Você conheceu Jesus, perguntou Supimpa.

- Conheci sim, e todos aqui o conheceram.

- Pôxa, reclamou Parapião fazendo uma careta, todo mundo conheceu Jesus, menos a gente que ficou perdendo tempo salvando lobo guará...

- Mas também é importante proteger os animais, disse Talita.

- É, mas eu queria conhecer Jesus, mas agora ele morreu... disse Parapião, já com beicinho...

- Como vocês o conheceram? Ele falou com vocês?

- Olha, ele adorava contar histórias. Uma mais bonita que a outra. Contou a do filho caçula que pediu dinheiro pro pai e quis ganhar o mundo, mas perdeu todo o dinheiro e quando estava com fome, com frio e com saudade de casa, voltou.

- E o pai deu uma surra prá ele aprender?

- Não, né? o pai gostou mais ainda dele e até fez uma festa!

- Nooooooossa, espantavam-se os palhacinhos. Conta mais!!!!!

Ele contou a história de que era preciso ser que nem a gente, criança, para ser do reino de Deus. Precisa nascer de novo!

- Nooooooossa, os palhacinhos em coro faziam....

- Eu vou ligar prá minha mãe e ver se tem um lugarzinho na barriga dela. Eu fico bem apertadinho e então eu nasço de novo e vou ser do reino de Jesus! planejou Supimpa, tentando se apertar.

- Não seu bobo! Precisa nascer é o coração. Precisa morrer o coração sujo e nascer um coração que só Jesus pode dar. Nascer de novo é em Espírito, nascer em Deus!

- Tá complicado.... reclama Rebimboca.

- Quando ele falava, não era complicado... Pena que os adultos fossem tão chatos e achassem que a gente estava atrapalhando ele...

- Como é que é???

- É! Eles chegavam e mandavam a gente sair de cima, parar de abraçar Jesus, ficar juntinho dele....

- Eu acho que o que eles tinham era ciúme!

- Eu também acho, mas Jesus foi muito mais esperto! Ele falou: 'Deixe que as crianças fiquem aqui, porque o meu reino é das crianças!'

- Que legal! Que legal! pulavam Rebimboca e Parapião.

- Que triste! Que triste! pulava Supimpa.

- Ô Supimpa, que negócio é este.

- Jesus morreu, Jesus morreu, cabô o céu, cabô você e cabô eu!!!!

- Eu não sei não, eu não sei não, resmungou Talita....

- O que foi Talita?

- Olha... Ele não fez eu viver?

- Fez!

- Não fez o seu Lázaro viver?

- Fez!

- Não manda em tudo e tudo obedece?

- É isso aí!

- E se ele mandar na morte? Hein? Hein?

- Tenebroso, minha cara Talita, tenebroso....

- Digo mais: arrepiante, minha cara Talita, arrepiante....

- E completo: animal! U húúúúú!

- Menos, Supimpa, menos....

- Eu proponho a seguinte brincadeira: vamos lá na tumba ver se ele tá lá mesmo e daí a gente vê se tá cheirando ruim, e daí a gente acende uma fogueira, e daí a gente monta uma quadrilha e daí a gente joga videogame, e daí...

- Pára, Rebimboca! Que coisa! Não leva nada a sério, reclama Isabel...

- Amiga, eu nasci assim, eu cresci assim, eu vivi assim, Rebimboca, sempre Rebimboca... responde Rebimboca cantando a música de Gabriela....

- Cara de palhaço, ginga de palhaço.... completa Supimpa!

- Ah! Eu tô maluco! Ah! Eu tô maluco!! grita Parapião!

- Parem vocês três! grita Talita. Eu gostei do começo da idéia do Rebimboca. Vamos à tumba?

- Uh! Uh! Uh! Terror para todas as idades.....

- Só que hoje não vai dar... já está ficando tarde e preciso voltar para casa. Estou fora desde ontem e meus pais devem estar muito preocupados, disse Talita.

- Eu também , diz Isabel. Vocês três querem dormir lá em casa? Amanhã cedinho a gente vai lá...

- Tá bom, tá bom... mas eu ainda acho que ir no cemitério à noite é muito mais legal!

- Está cheio de guardas lá. Eles poderiam achar que você é um ladrão e pumba! matam você....

- Supimpa, o morto-vivo, agora só morto e não vivo!!!!

- E eu? Rebimboca-sem-cabeça, a assombração da hora....

- Opa, opa, opa! Abram alas para Parapião o vampirão....

- Vamos prá casa, que eu deixo vocês assistirem a sessão terror...

- Eu hein, santa? Morro de medo.....

- Tchau, gente, até outro dia! Foi legal brincar com vocês...


.....


Domingo de manhã, lá pelas sete, Isabel e os três palhaços batem na casa de Talita.

- Talitáááááááááááááá, gritam os três em coro.

- Talitá-tá-rá-tá-tá !!!

- Quem? Quem grita feito louco tão cedo??

- Ô seu Jairo, a Talita já acordou?

- Vou ver, Bel....

E depois de um momentinho:

- Oi gente. Estou pronta!

- Vamos então, que senão o negócio vai feder...

- Supimpa, mais uma falta de respeito dessas e prendo sua boca com esparadrapo...

- Talita, são leis da natureza: morreu, fedeu... a não ser que os urubus comam tudo antes... filosofa Rebimboca.

- Urgh! Nojento! reclamam as duas meninas

Eram quase oito horas quando chegaram na tumba. De cara viram que algo estava errado.

- Que bagunça!

- Mas será possível que este cemitério não tem faxineira? Tudo sujão, sujão....

- Não tá sujo, tá bagunçado!

- Tá sujo!

- Tá bagunçado!

- Tá sujo!

- Tá bagunçado!

- Tá fedendo?

- Não tá!

- Então tá bom... Se não tá fedendo, então não tá sujo. Deve de estar desarrumado...

- Não, Rebimboca! Eu que acho que tá desarrumado.

- Ah! É. Então tá sujo!!

- Tá bagunçado!!

- Chega vocês dois! Aqui é um lugar de respeito!

- Respeito é bom e eu gosto!

- Eu também!

- Eu também!

- Então se comportem. Cadê os guardas? O pescador não falou que estava cheio de guardas?

- É mesmo.... Cadê os home?

- Acho que os zumbis comeram as cabeças deles....

- E os vampiros chuparam o sangue deles...

- E a mula sem cabeça.... o que que ela fez mesmo???

- Deu coice em curioso!!! Há, há, há.....

- Ei! Aquela deve ser a tumba do Jesus. Está aberta!!!!!

- Vamos lá ver???

- Eu tô com medo.....

De repente, surge um jardineiro, bem, mas bem pacato...

- Bom dia, posso saber o que vocês estão fazendo andando pelo cemitério a esta hora da manhã? Caíram da cama?

- Ôooo seu hóme!!!! Como que ocê chega bem quietinho assim, sô. Cê qué matá a gente de susto!!!!

Os palhaços se reúnem...

- Eu acho que ele é um dos guardas...

- Guarda não se veste assim, bocó...

- Então ele é um dos sacerdotes...

- Sacerdote também não se veste assim, jacu de gaiola....

- Então... então... eu sei o que ele é!

- Se sabe, fala logo!

- É um zumbiiiiiiii!!!!

- Fujam todos!!!!

- Ah, gente, eu não vou fugir não....

- Por que, Rebimboca.

- Sabe o que que é? Eu nunca vi um zumbi de perto e não quero perder esta chance...

- E se ele comer seu cérebro?

- Disso eu não tenho medo!

- Por quê?

- E palhaço tem cérebro? Mas tenha paciência...

Então os palhacinhos juntaram-se às meninas para conversar com o jardineiro.

- Não tem um defunto naquela tumba?

- Tinha, mas não tem mais...

- Ele virou zumbi?

- Não, disse o jardineiro sorrindo.

- Roubaram o defunto prá fazer presunto?

- Também não, ele... esperem que preciso fazer uma coisa...

Chegavam ao túmulo três mulheres muito tristes, com vidros de perfumes nas mãos e estranhavam o fato da tumba estar aberta.

De longe, os palhacinhos não podiam escutar o que o jardineiro conversava com as mulheres...

- Olha só, disse Supimpa. Ele fala com elas como se conhecesse as três...

- Vai ver, comentou Isabel, que são daquelas mulheres que adoram vir ao cemitério chorar pelos mortos. Tá cheio de gente assim por aqui...

- Olha lá!!! Elas estão pulando de alegria!! O que está acontecendo???

- E onde vão? Parecem que viram o capeta! Olha como correm...

O jardineiro se aproximou dos cinco novamente.

- Pronto. O que conversávamos mesmo?

- O que aconteceu com aquelas três!!!! Parecem que estão com o capeta!!!!

O jardineiro ria prá valer.

- Olha, eu garanto prá vocês que o capeta não tem nada a ver com isso...

- Como você tem tanta certeza? Eu acho que... Olhem!!! Não é o pescador... como é mesmo o nome dele???

- É Pedro, e o que está chegando afobado chama-se João, disse o jardineiro.

- Como é que você...

- Shhhhhh!!!! Fiquem escondidos! Eu não vou perder isto por nada deste mundo!

- E de outro mundo?

- Shhhhhh, Parapião!

- Como você sabe meu nome?? Grita Parapião num pulo.

- Se você ficar quieto, depois nós conversamos.

- Parapião... estamos enrascados....

- Por quê, Supimpa.

- Não percebeu quem ele é?

- Um zumbi, é óbvio...

- Não, cara, ele é um espião...

- E o que um espião estaria fazendo aqui, hein?

- Se ele não for espião, como que sabe tanto da gente?

- Sabe, comentou Talita, ele me parece familiar...

- O pescador ou o jardineiro?

- O jardineiro.

- Ele é seu tio ou seu primo?

- Nenhum dos dois. Por quê?

- Se ele é familiar....

- Bobo! Ele parece alguém que eu já conheci, só não sei daonde...

Neste momento, um anjo surge para Pedro e João e diz:

- Por que procuram entre os mortos aquele que vive?

- Como é que é???? Sussurra Supimpa.

- Aquele que morreu, agora vive, e eternamente!

- Como é que é???? Sussura Rebimboca.

- Jesus venceu a morte! Corram e contem aos outros!

- Como é que é???? Sussurra Parapião.

- Ô seu jardineiro, que história é esta de viver para sempre?

- Aquele que foi morto na cruz na sexta feira...

- O tal de Jesus?

- Isto... Ele não está mais morto. Ele venceu a morte e agora está mais vivo do que nunca!

- Como é que pode isso?

- Jesus é Deus que virou gente. Ele fez isso porque o seu povo querido estava afastado de Deus e escravo da morte.

- Que nem zumbi?

- Muito pior, Rebimboca. O povo, e quando eu digo povo estou dizendo todas as pessoas da Terra, para Deus estavam mortos.

- E onde Jesus entra nesta história?

- Ele é Deus que virou humano para tomar o lugar da gente, porque a cruz em que ele morreu não era prá ele, era para nós.

- E o que aconteceu depois?

- Bom, Isabel, quando ele morreu, os céus ficaram tão tristes, mas tão tristes, que até o Sol se escondeu, por que tinha vergonha de chorar na frente dos outros...

- Aquela escuridão de anteontem foi isso?

- Foi a hora em que Jesus morreu.

- E depois? E depois?

- Ele desceu ao inferno, lá no reino da morte, e derrotou a morte tão bem derrotada que a morte saiu com o rabo entre as pernas...

- E? E? E? Conta que a história está boa...

- Hoje, antes do primeiro raio de sol tocar a tumba, Jesus ressuscitou. E agora, como o grande campeão que é, irá reinar eternamente.

- Se a morte está vencida, como que a gente morre?

- A gente morre se está longe de Deus. Não esta morte morrida, uma morte muito pior: a morte eterna.

- Morte eterna? E como escapar dela?

- É muito, mas muito simples...

- Ôbaaaa!

- Vocês lembram quando vocês viveram a sua Grande Aventura?

- Sim, claro, mas...

- Lembram que vocês pagaram um preço para a onça deixar os lobinhos viverem lá?

- Foi um tapiti muito bonito! Mas...

- Pois é... O preço para escapar das garras da morte já foi pago, isto é, se vocês concordarem com certa proposta...

- Tudo bem, tudo bem - disse Parapião - eu levo café na cama durante três anos.

- E eu - continuou Supimpa - levo café no sofá durante quatro anos.

- E eu, então - replicou Rebimboca - levo o café na barriga! Há! Há! Bobo ieu?

- Não, gente. Vocês tem que aceitar o sacrifício que eu fiz na cruz, por amor de vocês.

- VOCÊ !!!!!!!

Os palhacinhos deram um pulo do tamanho de um bonde!

- Eu sabia! Ele é o mestre!

- Isto mesmo, disse Jesus, e...

Mas não conseguiu terminar.

- O Mestre dos Zumbis!

- O Super Zumbi!

- O Mega Defunto!

- E eu lá tenho cara de defunto ou de zumbi, dizia Jesus a sorrir.

- É... cara não tem, mas deve de estar disfarçado...

- O zumbi espião! Fujam todos!

- Eu estou mais vivo do que nunca!

- E agora para sempre, né Jesus?

- Isso Isabel. E você, Talita? Tá forte e bem disposta?

- Eu não tive tempo de agradecer... Muito obrigadinho, viu?

- Sempre às ordens, crianças.

- Mas, mas, mas, mas, mas, mas....

- Você está gago? Eu curo gagueira, sabia?

- Você cura até burrice, pelo que tô vendo. Dá um jeito no Parapião !

- Nhé, nhé, nhé! Eu pelo menos tenho cura, né bocó.

- Vocês não vão brigar na minha frente, vão?

- Você vai contar prá mamãe?

- Não, eu...

- Então, hora do pau!

Jesus se levanta e, fingindo cara de bravo, diz:

- Olha, eu não tenho muito tempo agora, porque preciso visitar meus amigos. então que tal pararem de brigar e escutar o que eu tenho a dizer?

- Tudo bem, Mestre... disseram os três imitando zumbis.

- Eu vim prá salvar todo aquele que aceitar o meu sacrifício, sabendo que não era eu que devia estar na cruz, mas cada um de vocês.

- Eu? Sou tão santinho... diz Rebimboca, sem aguentar a gargalhada... Eu não me aguento!

- Ei Jesus, você veio prá salvar o Rebimboca também?

- O Rebimboca, o Parapião, o Supimpa, a Isabel, a Talita... Quem me aceitar, eu salvo!

- Melhor que o Superman, hein?

- E que o Batman?

- E o Super Lesmão?

- Última pergunta!

- Fala, Supimpa.

- Você veio para salvar aqule homem ali? Disse Supimpa apontando um senhor que passava.

- Vim sim.

- E aquela dona de trouxa de roupa na cabeça?

- Também.

- E aquele sentado no banco?

- Também.

- E o Zezinho?

- Hum, hum!

- E a Juju e a Bibi?

- Isso mesmo!

- Agora sem olhar. Vira prá lá! Bel, fecha o olho do Jesus!

- Este aqui você veio salvar também?

- O Tonico? Claro que vim!

Um oohh, percorreu os palhaços.

- Ele é melhor que o mister M! Sabe tudo!!!

- Bom gente, eu preciso ir...

- Não vai não, que você é legal.

- Eu vou, mas vou mandar alguém muito especial que vai acompanhar vocês por onde quer que vocês forem.

- O Super Carrapato? Argh!

- O Ultra Durex! Deus, quer dizer, você, me livre!

- O Incrível Gruda-Gruda! Socorro, meu pai!

- Haja paciência! Eu vou mandar o Espírito Santo prá acompanhar vocês!

- Espírito! Mais fantasmas?

- Não! Este é o próprio Deus!

- Mas não é você que é Deus?

- Isso!

- Que confusão! Ai caramba!

- Um dia eu explico prá vocês... Agora eu tenho que ir! Tchau!

- Tchau Jesus! Volte logo!

- Quando vocês menos esperarem, estarei aí!

- Vou fazer um cafezinho bem gostoso!

- Enquanto isso, onde quer que vocês estejam, contem esta história prá quem quiser ouvir!

- E quem não quiser?

- Contem também. Eles só acham que não querem ouvir. Tchau!

- Tchauuuu! Diziam os palhacinhos imitando lobos. Tchauuuuu!

Então pararam. Um olhava pro outro. Outro olhava prá um...

O Supimpa foi o primeiro a abrir o berreiro:

- Buááááá! Eu tô tristão!

- Buééééé! Eu tô tristão, tristão!

- Buíííííííí! Eu tô tristão, tristão, tristãozão!

- Por que motivo, agora, gente? Perguntou Talita.

- Esta foi a maior aventura que a gente viveu!

- É isso aí! Buóóóóó!

- Muito legal! Buúúúúú!

- Ah! Não! De novo não! Podem parar!

- É gente! A aventura ainda não acabou!

- Cuma? perguntaram os três, parando de chorar no mesmo instante.

- É! Agora a gente têm que sair por aí contando a história de Jesus!

- Isto me parece interessante! disse Parapião

- Isto me parece fenomenal! disse Rebimboca

- Isto me parece Supimpa! Iúpiiii!

- Menos Supimpa, menos!

- Menos uma ova! Mais! Muito mais!

- Vâmo nessa moçada! Tá na hora de trabalhar!

- E vamos cantando a música que acabei de fazer!

- Como que você quer que a gente saiba a música se você acabou de fazer?

- Qualé pessoal... Isto é uma peça de teatro... A gente já ensaiou prá caramba!

- Então vamos lá?

- Me dá um Sol!

- Muito quente e muito pesado...

- Me dá um Mi, então.

- Um mi...lhão, pede logo um bi!

- Então um Lá!

- Lá aonde?

- Isto não vai acabar bem... Vamos cantar ou não vamos?

- Tá bom. Então... é um de dois, é três ...

- O Palha...

- É quatro é cinco é seis, Rebimboca enganou todos você!

- Canta meu!

- Tá!

E lá saíram os três palhacinhos e as duas meninas, a cantar. Em cada lugar que passavam, contavam a história de Jesus e assim foi até o dia em que...

- Ei, isto já é outra história! Gritaram os palhacinhos!

Desculpem gente, então fica prá próxima... Até lá!

- É isto aí! Viva! Viva!


................ FIM ..............


Prá quem for curioso, a canção dos palhacinhos era mais ou menos assim:


O palhaço só existe sim porque você existe

O seu sorriso existe porque a alegria existe

Mas o bom palhaço existe é prá não te ver mais triste

O palhaço existe para alegrar


Mas o palhaço, bom palhaço, que é palhaço prá valer

É sensível, tão profundo que consegue entender

Que atrás de um sorriso muitas vezes vem a dor

A tristeza e a falta de amor

São nessas horas que o bom palhaço tem

Em sua vida a maior missão

De trazer muita paz e alegria

E esperança para este coração

São nessas horas que o bom palhaço deve conhecer

O Caminho, a Verdade e a Luz

Prá ensinar a todos pequeninos

Que a maior das alegrias é Jesus!


A alegria está no coração de quem já conhece a Jesus

A verdadeira paz só tem aquele que já conhece a Jesus

O sentimento mais precioso que vem do nosso Senhor

É o amor e só tem quem já conhece a Jesus!